BYD já oferece módulos nacionais com apoio do BNDES

Fábrica da chinesa obteve o código Finame nesta semana e capacidade produtiva brasileira já se aproxima de 1 GWp

[10.03.2017] 19h43m / Por Lívia Neves

A BYD obteve o código Finame para fornecer módulos fotovoltaicos com conteúdo local e financiamento do BNDES nesta semana. A fabricante começou a operar a fábrica em fevereiro e trabalha com uma capacidade produtiva de 200 MWp ao ano.

De acordo com o diretor de Marketing e Novos Negócios da companhia, Adalberto Maluf, a unidade deve manter toda a sua capacidade ocupada até 2018, para atender grandes projetos de geração contratados em leilões, com acordos de fornecimento para dois empreendedores.

Além disso, a companhia busca atender a geração distribuída, com a possibilidade de ampliar a capacidade produtiva em até 50 MWp ao ano, segundo Maluf. “Nós queremos manter algo entre 17% e 22% da capacidade voltada para a geração distribuída”, detalha o executivo. A fábrica está localizada em Campinas, onde a companhia também terá uma linha de produção de ônibus elétricos.

Quase 1 GWp de capacidade produtiva

Com o enquadramento da BYD nas regras de conteúdo local do BNDES, a capacidade nacional de produção de módulos fotovoltaicos fica perto de 1 GWp ao ano, próxima ao que o BNDES previa em maio do ano passado. Além dos 200 MWp da BYD, há a planta de 400 MWp da Canadian Solar, em operação desde o final do ano passado.

Além disso, de acordo com o BNDES, as demais cinco empresas fabricando os módulos localmente têm uma capacidade de aproximadamente 300 MWp ao ano. Desta capacidade, cerca de 180 MWp é da Globo Brasil. O restante está distribuído entre Tecnometal, Premier, Minas Sol e CSEM Brasil (esta última de filmes finos), que miram atendimento ao mercado de geração distribuída, para sistemas menores. 

Política industrial

Em 2016, o banco ampliou a participação máxima no financiamento de projetos fotovoltaicos, de até 70% dos itens financiáveis para até 80%. As condições atrativas de crédito são a contrapartida para a aquisição dos painéis nacionais, que permanecem mais caros que os importados.

O futuro das fábricas instaladas no país, contudo, guarda uma série de dúvidas: como não houve leilão para contratar a fonte no ano passado, não há previsão de novos contratos de fornecimento para geração centralizada a partir de 2019. Além disso, mesmo com a atratividade do financiamento do BNDES, muitos clientes têm preferido buscar painéis mais baratos de fora, enquanto os produzidos por aqui ainda carregam uma pesada carga tributária.

Uma das ações que poderia dar uma folga para essas empresas, além da desoneração, é a revisão do plano de nacionalização progressiva, em curso no BNDES. A ideia é tornar mais viável a permanência das fábricas no país e o atendimento às exigências, consideradas atualmente agressivas.

A fabricação das células fotovoltaicas no Brasil, considerada um dos processos mais avançados da manufatura de painéis, seria exigida já a partir de 2020, por exemplo. Nesse processo, as células passam por tratamentos químico e antirreflexo, dopagem, impressão dos contatos e testes.

O aumento da importação de painéis e a competitividade da indústria são um dos temas da edição de março da revista Brasil Energia.