Sunew quer instalar cinco vezes mais filmes fotovoltaicos orgânicos em 2018

Empresa prevê entregar 20 mil m² neste ano, incluindo o que considera ser a maior fachada do mundo com a tecnologia

[17.07.2017] 18h24m / Por Lívia Neves

Desde 2015 produzindo filmes fotovoltaicos orgânicos, a Sunew espera entregar neste ano no Brasil 20 mil m² do material transparente e flexível, capaz de gerar energia solar em fachadas de prédios e mobiliário urbano. Para o ano que vem, a meta é aumentar esse volume em cinco vezes, diz o gerente de Novos Negócios da companhia, Filipe Ivo, em entrevista à Brasil Energia.

Para se ter uma ideia do que isto representa, a própria Sunew entregou neste ano o que afirma ser a maior fachada de filmes fotovoltaicos orgânicos (OPV, em inglês) do mundo, com cerca de 100 metros quadrados da tecnologia instalados no prédio da Totvs, empresa de softwares, e tecnologia em São Paulo.

Com atualização recente das regras de nacionalização do BNDES para equipamentos fotovoltaicos financiados pelo banco, o fator de nacionalização calculado para os filmes finos foi igualado pelos painéis rígidos convencionais. Mas, para Ivo, esse não é um problema porque as tecnologias não competem diretamente pelo mesmo mercado. Na mira da companhia estão, justamente, os novos edifícios em construção, que buscam certificações internacionais de eficiência e sustentabilidade.

Como tem sido a comercialização dos filmes fotovoltaicos orgânicos no país? Pode falar em volumes já comercializados e metas de crescimento?

Estamos focados nos mercados de construção integrada com solar fotovoltaica, mobiliário urbano e mobilidade. Entregamos este ano a maior fachada fotovoltaica orgânica do mundo, no prédio da Inovalli que está sendo ocupado pela Totvs, em São Paulo. Também estamos com uma OPTrees (mobiliário urbano em formato de árvore) instalada no Museu do Amanhã (RJ) e levamos a tecnologia para diferentes eventos, como uma feira na Alemanha (LOPEC), no evento da Natura " Diálogos sobre a nova economia" e futuramente na Greenbuildings (SP). Estamos com outras instalações expressivas previstas ainda para esse ano, mas não podemos divulgar detalhes no momento. Nossa previsão é instalar mais de 20 mil m² ainda esse ano, crescendo para cinco vezes  este volume em 2018.

Qual é a vantagem dos filmes fotovoltaicos orgânicos sobre as células rígidas? E a desvantagem?

O OPV é a tecnologia fotovoltaica mais “verde” disponível no mercado e é altamente customizável, possibilitando soluções em que as tecnologias tradicionais não se aplicam, como fachadas, mobiliário urbano, gadgets e automóveis. Também ajudam a prevenir mudanças climáticas e a proteger o meio ambiente, à medida que usam materiais orgânicos, abundantes e não tóxicos, têm a menor demanda de energia na fabricação (apenas 1,4 MJ/Wp, contra 24,9 MJ/Wp na produção dos painéis tradicionais) e a menor pegada de carbono (quase 90% menos do que os painéis de silício). A tecnologia também contribui para o conforto térmico e redução do consumo de energia em edifícios, pois possui filtros UV e IR que reduzem a carga térmica da edificação e, logo, o uso de ar condicionado.

Além disso, trata-se de um filme que é facilmente reciclável no final da sua vida útil. Outra vantagem é que enquanto outras tecnologias dependem diretamente do ângulo de incidência solar, o OPV tem uma dependência muito baixa e, portanto, mais energia é produzida ao longo dia. Com relação às desvantagens, entendemos que a principal é o fato de o mercado ainda ser bastante conservador e despreparado para aderir à tecnologias incipientes. A incerteza de certos fatores como preço, eficiência e payback dificultam a adesão e reforçam a propensão para longos ciclos de inovação.

É possível comparar os custos dessas tecnologias?

Atualmente, os painéis OPV têm um custo mais alto que os painéis tradicionais. Entretanto, como seu processo produtivo é baseado em impressão rolo-a-rolo (semelhante a de jornais e da indústria têxtil) e tem baixa demanda de energia, ele é altamente escalonável e com potencial de baixo custo.  São tecnologias com foco em mercados distintos. Nosso objetivo é complementar a tecnologia tradicional, aplicando o OPV em estruturas que não podem ser atendidas pelas placas de silício, seja pela questão de transparência, peso, rigidez, design.

Onde a tecnologia dos OPVs tem espaço para ser aprimorada? A Sunew desenvolve no Brasil pesquisa para aprimorar a tecnologia?

A Sunew é uma spin-off do CSEM Brasil, que desenvolveu e continua a pesquisa para aprimorar o OPV. Vemos uma grande adesão do OPV no mercado de fachadas, mobiliários urbanos e automóveis. Com os principais players desses mercados, estamos diariamente desenvolvendo novas formas de integração em diferentes tipo de estruturas.

Antes de o BNDES atualizar as regras de conteúdo local para cadastro de fabricantes na linha Finame, a Sunew era a única fornecedora que alcançava o fator máximo de nacionalização. Com a reformulação, os fabricantes das tecnologias convencionais passaram a igualar este patamar. Como a Sunew recebeu a atualização do plano de nacionalização?

Como explicado anteriormente, as tecnologias não são concorrentes, pois atendem mercados diferentes. Por conta disso, acreditamos ser de grande importância que todo o setor de energia solar receba esse tipo de benefício. É importante para que o brasileiro consiga investir mais em fontes renováveis.